segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Alberto da Cunha Melo e os Poetas Independentes


Da esquerda para a direita: Fátima Aroucha, Verônica Aroucha,
Alberto da Cunha Melo, Cláudia Cordeiro, Conceição Pazzola, Clóvis Campêlo e Carlos Maia.
Foto: José Rodrigues Correia Filho/2006

ALBERTO DA CUNHA MELO E OS POETAS INDEPENDENTES

Clóvis Campêlo

Alberto da Cunha Melo e Cláudia Cordeiro aportaram nos Poetas Independentes logo no início do seu funcionamento, no ano passado, atendendo a um convite feito por mim a Cláudia, através das Trilhas Literárias.
Confesso que a chegada dos dois ao PI me surpreendeu, não só pelo fato de serem pessoas já reconhecidas e consagradas nas suas áreas de atuação como pelo desprendimento de aceitarem um convite para participar de um grupo ainda incipiente e inconstante como podem ser todos os grupos virtuais que proliferam na grande rede.
Confesso que, de início, por suas grandezas, os via deslocados dentro do grupo. Aos poucos, no entanto, essa convivência foi se mostrando harmoniosa e produtiva e, o que é melhor, com base nos comentários feitos por eles ao analisarem poemas diversos divulgados no grupo, essa convivência nos deu o respaldo necessário para o crescimento da nossa auto-estima e confiança.
Nossa surpresa foi maior ainda quando ousamos partir para a elaboração de uma antologia poética, trazendo da grande rede para o livro de papel os poemas do grupo, e Alberto e Cláudia se dispuseram a dela participar, ele, colocando à nossa disposição cinco dos seus poemas, inclusive um inédito, feito nos anos 70 em homenagem a Dom Hélder Câmara, e ela, com a sua maestria e competência de web-designer, nos brindando com uma capa belíssima.
A participação dos dois na nossa Antologia 2007 não só nos deu a credibilidade necessária perante o mundo literário brasileiro, além, é claro, do vasto universo da Internet, como consolidou em nós a consciência de que o nosso fazer poético era merecedor de crédito. Por ironia do destino, talvez essa tenha sido a última participação em livro de Alberto da Cunha Melo vivo. E embora assim não quiséssemos, a sua morte tornará a nossa Antologia 2007 uma referência obrigatória no cenário literário brasileiro.
Ao longo desse tempo, acompanhamos a dedicação e os esforços de Cláudia na luta para restabelecer a saúde do nosso Poeta-Mor. E mesmo não estando demasiadamente por perto, tinhamos a esperança da sua recuperação e do seu restabelecimento físico. O transplante feito pelo Poeta-Mor em agosto, diante da sua saúde fragilizada pelo câncer no fígado, era a única possibilidade de manter-se vivo que lhe restava. E todos nós, do Poetas Independentes, torcemos fervorosamente para que tudo desse certo e para que o Poeta-Mor voltasse a desfrutar de boa saúde, retornando ao seu labor poético.
Na sua generosidade, Alberto ainda nos citou por duas vezes em artigos publicados na sua coluna Marco Zero, na revista Continente Multicultural.
Portanto, para nós do PI, a sua partida não só nos priva de uma enriquecedora convivência humana e poética, como nos deixa órfãos do seu carinho e reconhecimento.

Recife, 2007

1 comentários:

Verônica Aroucha disse...

Que lembrança, Clóvis...Dá para confundir a vida real com o sonho.
Maravilha de texto.
Abraços.