sábado, 28 de janeiro de 2012

Odete do Tabaco Verde


ODETE DO TABACO VERDE

Liêdo Maranhão

Não sei de onde vem o apelido surrealista daquela costureirinha da Rua do Alecrim. O meu amigo José Rodrigues Correia Filho, pesquisador, fotógrafo, habituê dos sebistas, nos contou que na Estância tinha Tabaco Doido. O pessoal perguntava:
- Tabaco doido, tua mãe sabe que tu fode?
Respondia a criaturinha:
- Que eu fodo ela não sabe, não!... Sabe que eu dou o cu.
Na oficina de automóvel de Zé Pequeno, conheci Nena do Tabaco Doce e Gilca Tabaco de Aço. Pouco atrativa, Odete não recebia cantada. Mas, como diz o escritor francês Marcel Proust: "Deixemos as mulheres belas para os homens sem imaginação."
Jeitosa, paciente na aplicação dos alinhavados, dos debruns e vieses, costurava fazendo "corpinhos", "boleros colantes" e "ensambles". Mas, o prazer de Odete era dançar e chupar rola. Não perdia, aos domingos, o "Sorvete Dançante" do Clube Português.
Depois da festa, o bom era uma chupadinha de Odete na Praça Sérgio Loreto, pertinho da sua casa.
Feliz da vida, limpando a boca com as costas das mãos, despedia-se com o clássico "Até domingo!..."

- Rolando Papo de Sexo - Memórias de Um Sacanólogo. Liêdo Maranhão. Recife, Editora Livro Rápido, 2005, pág. 50/51.

2 comentários:

Passiflora disse...

Boa crônica.
Curta e concisa.
Faz uma imagem perfeita.
Escritor de mão cheia.
Excelente senhor Liêdo Maranhão.
Paulo.

Clóvis Campêlo disse...

Grato por seu comentário, Paulo. É uma pena que Liêdo, no alto dos seus 80 e poucos anos, não curta a internet.