
Foto: Clóvis Campêlo/1974
-
PINA, ONDE ESTÁS?
Lucivânio Jatobá
Era nas manhãs de domingo que eventualmente me dirigia à praia do Pina e dava uma "obrigatória" esticadinha até a casa de Valmir, na Brasília Teimosa.
Na praia do Pina reuniam-se as pessoas pobres. As de "posses" dirigiam-se ao Castelinho ou, com mais frequência, à frente do Acaiaca. Não se misturavam com a "gentalha" do Pina. Não era o meu caso... Adorava aquela mistura brasileira.
Na praia do Pina havia meninas bonitas... suburbanas. Também ficavam por lá as "raparigas" que viviam estabelecidas nas "casas de amor" vistas logo na entrada de Brasília Teimosa. Era gostoso tomar banho na praia, que outrora era péssima, pois ali desembocava um gigante cano que levava dentro de si excrementos. Daí o preconceito que se tinha com os "pineiros". A classe média baixa do Pina quando perguntada onde morava, a resposta era única: "no início de Boa Viagem". Que nada! Era no Pina, mesmo!!!!
Mas a alegria despontava verdadeiramente nas águas mornas do Pina. Às vezes rendia um "sarrinho" numa daquelas locas do 'cano da merda". O "serviço" poderia ser completado numa das casas mencionadas, bem pertinho dali. O domingo seria perfeito, então.
Foi no Pina que conheci um grupo fantástico, com o qual ainda hoje convivo com o que restou de bom... Ali entrei em contato com o JUBRAPI; ali conheci Clóvis, Milton Banana, Beto, Barão, "Marcos Bobão", Zé Maria, Seu Castanha, Irani, os padres Oblatos ( figuras extraordinárias), Odir, - memória, por que me abandonas aos poucos? Na igreja de Brasília, participei,certa vez, de uma reunião clandestina, orgulhoso, por estar junto do então ( superprocurado) Presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas-UBES Bernardo Joffly.
No Pina aprendi a amar os Beatles, os Rollings Stones e Jimi Hendrix. No Pina comi gostosas feijoadas que comprava, lá no Jaime, que tinha uma linda filha, e levava para a casa de Valmir, para não dar-lhe despesas nas minhas inesperadas visitas dominicais para ouvir a boa música.... Saí muitas vezes meio "tocado" nesses domingos, após várias cervejas de casco verde ou uns chopinhos de casco escuro. Nem pensava em triglicerídeos elevados e muito menos colesterol. Descia tudo numa boa , misturado com as canções do Álbum Branco dos Beatles.
Essa conurbação Pina- Brasilía teimosa não está na Wikipédia nem em nenhuma outra enciclopédia virtual. Está dentro de minha mente... no espaço das coisas inesquecíveis.
Relembro dela nessa arqueologia da saudade que agora resolvi fazer após a gostosa "provocação" de Irani...
Dedico estas linhas a Clóvis Campêlo e Valmir Sá.
Lucivânio Jatobá
Era nas manhãs de domingo que eventualmente me dirigia à praia do Pina e dava uma "obrigatória" esticadinha até a casa de Valmir, na Brasília Teimosa.
Na praia do Pina reuniam-se as pessoas pobres. As de "posses" dirigiam-se ao Castelinho ou, com mais frequência, à frente do Acaiaca. Não se misturavam com a "gentalha" do Pina. Não era o meu caso... Adorava aquela mistura brasileira.
Na praia do Pina havia meninas bonitas... suburbanas. Também ficavam por lá as "raparigas" que viviam estabelecidas nas "casas de amor" vistas logo na entrada de Brasília Teimosa. Era gostoso tomar banho na praia, que outrora era péssima, pois ali desembocava um gigante cano que levava dentro de si excrementos. Daí o preconceito que se tinha com os "pineiros". A classe média baixa do Pina quando perguntada onde morava, a resposta era única: "no início de Boa Viagem". Que nada! Era no Pina, mesmo!!!!
Mas a alegria despontava verdadeiramente nas águas mornas do Pina. Às vezes rendia um "sarrinho" numa daquelas locas do 'cano da merda". O "serviço" poderia ser completado numa das casas mencionadas, bem pertinho dali. O domingo seria perfeito, então.
Foi no Pina que conheci um grupo fantástico, com o qual ainda hoje convivo com o que restou de bom... Ali entrei em contato com o JUBRAPI; ali conheci Clóvis, Milton Banana, Beto, Barão, "Marcos Bobão", Zé Maria, Seu Castanha, Irani, os padres Oblatos ( figuras extraordinárias), Odir, - memória, por que me abandonas aos poucos? Na igreja de Brasília, participei,certa vez, de uma reunião clandestina, orgulhoso, por estar junto do então ( superprocurado) Presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas-UBES Bernardo Joffly.
No Pina aprendi a amar os Beatles, os Rollings Stones e Jimi Hendrix. No Pina comi gostosas feijoadas que comprava, lá no Jaime, que tinha uma linda filha, e levava para a casa de Valmir, para não dar-lhe despesas nas minhas inesperadas visitas dominicais para ouvir a boa música.... Saí muitas vezes meio "tocado" nesses domingos, após várias cervejas de casco verde ou uns chopinhos de casco escuro. Nem pensava em triglicerídeos elevados e muito menos colesterol. Descia tudo numa boa , misturado com as canções do Álbum Branco dos Beatles.
Essa conurbação Pina- Brasilía teimosa não está na Wikipédia nem em nenhuma outra enciclopédia virtual. Está dentro de minha mente... no espaço das coisas inesquecíveis.
Relembro dela nessa arqueologia da saudade que agora resolvi fazer após a gostosa "provocação" de Irani...
Dedico estas linhas a Clóvis Campêlo e Valmir Sá.

1 comentários:
Eita que saudade!!! Turma arretada! Beijão!!! Vivaa nos ...
Postar um comentário